Em um mundo distante, havia uma floresta mágica habitada por elementais de diversas naturezas: elfos mal humorados, fadas dançarinas, duendes traquinas, trolls, orcs, animais falantes e todos tipos de habitantes do mundo invisível aos olhos humanos.

No equinócio de primavera, quando o dia e a noite têm igual duração, o Espírito da Floresta enchia a floresta de beleza presenteando os ser humano com flores coloridas e perfumadas. Era o momento em que se criava a vida.

Nesta época, os seres elementais entravam em paz e conviviam em uma grande colheita, momento único de harmonia. Diversas flores, raízes e ervas eram colhidas para produzir remédios, poções, alimentos e extratos.

Todo ano, porém, em uma clareira solitária e abandonada, crescia um arbusto de flores de cobre que ninguém colhia. Séculos se passavam e era sempre igual: o Espírito da floresta dava vida ao arbusto que secava e morria sem despertar interesse.

As fadas e os elfos achavam a flor muito artificial, os orcs e gnomos achavam o cobre um metal sem valor. E assim ela ia sendo esquecida por gerações.

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Como dizem os próprios elementais, os seres vivos vibram em busca de alguém ou algo que entenda a sua essência e vibre conjugando sua energia no universo.

E foi assim que, buscando inspiração, Lívia Canuto se viu adentrando nesta floresta mágica. A cada passo que dava, sentia os mistérios se desvendando, sentia-se mais encantada. A magia que bailava no ar entou em seu peito e, sem medo, deparou-se com a clareira solitária, onde encontrou o arbusto de flores de cobre.

Vendo beleza na solidão das flores de cobre, as duas se conectaram de alma. Neste exato lampejo de segundo, indagou o motivo das lindas flores serem abnegadas e como uma surpresa o espírito da floresta retrucou que aquele encontro fazia parte dos mistérios da floresta mágica e que se ela quisesse encontrar a resposta, teria que aprender com os elementais da floresta como extrair da natureza a delicadeza e a sensibilidade lúdica e transforma-lá em extratos.

Lívia foi conhecendo os rituais e ensinamentos dos espíritos da natureza e ao fim de cada encontro era presenteada com uma fórmula/extrato/infusão para usada em momentos certos da vida. Ao fim da jornada, sem perceber a própria mudança interior, voltou ao espírito da floresta em busca da resposta que ainda lhe afligia. Ele pediu que pegasse uma flor de cobre e joguesse no lago rosa que margeava a clareira.

Ao tocar as águas do lago, a flor tornou-se colorida e revelou um perfume único. O lago ganhou vida e Lívia percebeu que a resposta sempre esteve com ela: a transformação do natural e óbvio em poesia e beleza para o mundo!